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Em entrevista ao Correio Braziliense, no dia 21/09, o pesquisador internacional Filip De Fruyt, referência mundial em competências socioemocionais, destacou como essas habilidades estão diretamente ligadas à saúde mental dos estudantes e à empregabilidade em um cenário de rápidas transformações sociais e tecnológicas.

De Fruyt, professor da Universidade de Ghent e cofundador do eduLab21 do Instituto Ayrton Senna, explicou que as competências socioemocionais — como empatia, curiosidade, persistência e regulação emocional — são cada vez mais decisivas para o desempenho no trabalho e para a vida em sociedade.

Segundo ele, empregadores hoje avaliam profissionais em quatro dimensões:

  • desempenho em tarefas;
  • desempenho interpessoal (colaboração e trabalho em equipe);
  • desempenho adaptativo (capacidade de lidar com mudanças);
  • desempenho em aprendizagem (ampliação contínua de habilidades).

Enquanto no passado o foco estava apenas em cumprir tarefas, hoje, os principais desafios estão ligados à colaboração, adaptabilidade e aprendizagem ao longo da vida. Isso reforça o que a BNCC já estabelece: garantir que todos os estudantes desenvolvam, além do conhecimento acadêmico, competências que os preparem para os desafios do século XXI.

De Fruyt aponta que as salas de aula são os espaços ideais para cultivar esse repertório, com atividades planejadas que ajudem os estudantes a nomear e praticar competências como respeito, assertividade e autorregulação. Esse alinhamento aparece de forma clara na BNCC, especialmente nas 10 competências gerais.

Para o pesquisador, bem-estar e saúde mental são condições indispensáveis para aprender e trabalhar bem. “Sem bem-estar, não há aprendizado eficiente”, destacou. Ele defende que escolas e organizações apoiem jovens na regulação das emoções e na criação de ambientes que favoreçam a concentração.

Ao analisar diferenças entre Brasil e Europa, De Fruyt elogia os avanços do país ao incluir competências socioemocionais na BNCC. O desafio, segundo ele, é garantir oportunidades tanto para jovens quanto para adultos em trajetórias de carreira não lineares, o que exige um forte compromisso com a aprendizagem ao longo da vida.

Saúde mental e aprendizagem

O debate reforça a centralidade da BNCC na garantia dos direitos de aprendizagem e no preparo dos estudantes para os desafios do futuro.

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