*Por Luiza Corrêa e Karolyne Ferreira, pesquisadoras que atuam na área de advocacy do Instituto Rodrigo Mendes.

Diante do atual cenário político e o contexto das eleições, o compromisso das gestões públicas com uma educação inclusiva de qualidade se faz um desafio constante. Para tanto, o Instituto Rodrigo Mendes, em parceria com o Todos Pela Educação, preparou o documento Recomendações de Políticas de Educação Inclusiva para Governos Estaduais e Federal. O material faz parte de uma série com recomendações sobre outros temas do universo da educação que estão sendo apresentados aos candidatos e à sociedade em geral no âmbito da iniciativa Educação Já, que agrega dezenas de especialistas e organizações do setor.

Leia também: [Análise] Impacto da pandemia em estudantes com deficiência e a perspectiva de futuro

Leia também: [Análise] BNCC e materiais pedagógicos acessíveis para educação inclusiva

A publicação descreve todo a conjuntura normativa e regulatória que exige que o Brasil adote um sistema educacional inclusivo e traz um diagnóstico do cenário atual. A proposta central é que todo estudante público-alvo da modalidade de Educação Especial, ou seja, educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (aqui incorporando também Transtornos do Espectro do Autismo) e altas habilidades/superdotação, tenham direito de acesso e permanência a uma educação de qualidade em escolas comuns/inclusivas. 

Foram apresentadas sete recomendações para os futuros governos estaduais e federal, dentre as quais estão a garantia de que toda criança e adolescente seja matriculado em escolas comuns/inclusivas, o que também envolve a necessidade de ampla busca ativa escolar, o combate a retrocessos de direitos e à cultura da segregação. De maneira a garantir um avanço das políticas públicas baseado em dados e evidências, sugere-se a produção e divulgação, de forma segura, de dados e indicadores de exclusão, evasão e aprendizagem. Ademais, reforça a necessidade de investimento em acessibilidade em todas as suas dimensões, profissionais de apoio e de Atendimento Educacional Especializado (AEE), sala de recursos multifuncionais, dando as condições necessárias para o convívio e aprendizado de todos.

Um ponto a ser destacado é o de que os estudantes com deficiência também têm direito de acesso ao conteúdo curricular proposto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o que não ocorre em ambientes segregados. Para isso, é preciso que educadores e redes de ensino se esforcem em transmitir esse currículo para todos, todas e cada um, se utilizando de metodologias ativas e alternativas, Desenho Universal para a Aprendizagem, trabalho colaborativo entre professor regente e professor de AEE entre outras estratégias que permitam que o conteúdo seja acessado de maneira satisfatória, elevando a qualidade do ensino não apenas para o público-alvo da educação especial, mas para toda a comunidade escolar.

Além desses pontos, está também a defesa pelo incremento na formação inicial e continuada de todos os docentes, para que sejam educados em disciplinas e cursos de educação especial, adotando sempre a perspectiva inclusiva. Por fim, o documento propõe que o investimento de recursos públicos se dê nas escolas comuns, com prioridade orçamentária e planejamento de transição para um sistema educacional completamente inclusivo.

Além de ser um direito assegurado constitucionalmente, o desejo da sociedade brasileira é pela inclusão, pelo respeito e acolhimento da diversidade humana que nos constitui. O documento Recomendações de Políticas de Educação Inclusiva para Governos Estaduais e Federal traz alguns dos caminhos para que avancemos no sentido de uma educação mais inclusiva e melhor para todos.

Foto: iStock
Crédito: Wavebreakmedia
Descrição: Dois meninos interagem entre si em ambiente escolar. Um deles está sentado em cadeira de rodas e segura dois livros; um no colo, sobre as pernas, e outro com uma das mãos, erguido para cima. Com a outra mão, esse mesmo estudante aponta para o conteúdo dentro do livro e o mostra para o outro menino da cena, que está atrás dele, segurando em sua cadeira de rodas. Atrás deles, no fundo da imagem, biblioteca escolar. Fim da descrição.

Últimas

Programa Impulso capacita lideranças públicas para fortalecer a educação brasileira

Formação gratuita do Ensina Brasil foca em gestores que coordenam equipes e projetos em secretarias de educação  O Ensina Brasil abriu inscrições para a edição 2026 do Programa Impulso, uma formação intensiva e gratuita voltada a lideranças públicas que atuam na educação básica. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a capacidade de gestores que estão na linha de frente da implementação de políticas educacionais, com foco na promoção de equidade e no aumento da presença de mulheres e pessoas negras em posições estratégicas.  As inscrições seguem abertas até 27 de abril e podem ser realizadas em grco.de/impulso-2026.  Para quem é o programa  O Impulso é destinado a profissionais que ocupam posições de gestão no setor público educacional — como Chefes de Divisão, Diretores de Departamento ou Coordenadores de Área — em redes municipais, estaduais ou federais.  Os requisitos para participação são: ter atuado por pelo menos um ano em escolas públicas (como professor(a) ou gestor(a)); estar atualmente em cargo de gestão que coordena equipes e projetos; e desejar ampliar sua atuação institucional.  A turma terá 100 participantes, com compromisso de garantir 50% de mulheres e 50% de pessoas negras entre os selecionados.  Uma jornada de seis meses  O programa acontece ao longo de seis meses, em formato híbrido, combinando encontros presenciais em São Paulo e módulos online. Ao todo, são 80 horas de formação distribuídas em dois encontros presenciais de três dias em São Paulo (junho e dezembro), seis módulos online e encontros mensais de…