Redes de EI e EF

Adequações no currículo e nas orientações para a Educação Infantil em Araguaína (TO)

Boas práticasEmbaixadores da BNCC

A rede municipal de educação de Araguaína, no Tocantins, elaborou seu currículo em 2019, tendo como ponto de partida a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e referencial curricular estadual. Com a chegada da pandemia, em 2020, a secretaria de educação começou a revisar o currículo para contemplar as mudanças que surgiram no contexto do ensino remoto e incorporar outras melhorias. O material será seguido pelos cerca de 900 educadores da rede e chegará aos quase 20 mil alunos.

Quem conta essa história é Lucileda Vieira Sobrinho, educadora há 15 anos, técnica da Secretaria Municipal de Educação desde 2019 e participante do Programa de Embaixadores da BNCC (saiba mais sobre essa iniciativa do Movimento pela Base no final da página). Atualmente Leda, como é conhecida, é uma das responsáveis da secretaria por revisar o currículo da Educação Infantil:

“Acreditamos que além de contemplar objetivos de aprendizagem, o currículo deve detalhar aspectos essenciais sobre o desenvolvimento de bebês e crianças na perspectiva da BNCC, além de planejamento, registro e avaliação, espaços ambientados e projetos, por exemplo. E é nesse sentido que estamos construindo o novo texto”.

Para fazer esses complementos no currículo, a secretaria tem mobilizado as famílias das crianças, criou momentos de escuta dos educadores e vai ilustrá-lo com desenhos das crianças, mostrando a produção e a autoria dos pequenos.

Orientações complementares para lidar com o contexto

Leda também é supervisora de ensino e tem contato constante com algumas das creches e pré-escolas para acompanhar o planejamento de coordenadores, diretores e professores, observar as propostas e identificar as necessidades que aparecem no cotidiano. Essa vivência, que também é comum aos colegas de equipe de secretaria, favoreceu a construção de materiais feitos para suprir demandas atuais, como o “Guia para pais e professores em tempos de pandemia: como voltar as aulas na Educação Infantil?”, “Guia para Pais e/ou Responsáveis: Educação Infantil de zero a três anos” e “Guia Norteador: aprendizagens da Educação Infantil”.

Eles têm sido úteis para o trabalho remoto e para o formato híbrido – tanto presencial quanto a distância – que a rede tem oferecido desde o ano passado. “Como as crianças estão em casa, e não na escola, o diálogo com as famílias foi intensificado. Por isso, foi muito importante termos materiais que colaboram para o entendimento da aprendizagem na educação infantil”, diz. 

As atividades têm sido enviadas pelos professores às crianças de Educação Infantil e aos estudantes do Ensino Fundamental por Whatsapp, plataformas digitais ou e-mail, e para as famílias que não têm acesso aos meios digitais as propostas são entregues de forma impressa. 

Organização para a formação dos professores

A secretaria tem uma diretoria de formação de professores que atua em parceria com os outros setores, para oferecer atualizações constantes, sempre alinhadas à BNCC e ao currículo estadual e municipal. Antes da pandemia, a rotina de formações dos gestores escolares, coordenadores, professores e auxiliares de alunos incluía encontros bimestrais ou mensais, quando necessário, sobre temas comuns a todos e outros direcionados a públicos específicos. Além disso, havia os horários de estudo coletivo em cada escola com os professores. 

Leda explica que em 2020 essa rotina mudou e houve uma grande demanda dos professores por apoio ao trabalho remoto durante a pandemia. A secretaria realizou um diagnóstico para identificar o conhecimento dos educadores em relação à tecnologia na educação, incluindo familiaridade na elaboração de vídeos e uso de plataformas digitais. Enquanto isso, os formadores da secretaria começaram a estudar para dar orientações mais precisas aos profissionais. “O resultado do diagnóstico nos apontou que os professores estavam com medo, angustiados e até adoecendo por precisar atuar de forma remota e usar a tecnologia na rotina. Montamos formações para ajudá-los, na prática, a superar as necessidades reais”, lembra Leda. 

Mesmo diante de tantos desafios, diz a técnica, a secretaria busca garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento, sempre de olho nos documentos orientadores: “A BNCC direciona e ao mesmo tempo está aberta para a diversidade dos territórios, e ainda é rica de possibilidades que promovem o desenvolvimento do aluno nos seus diversos aspectos. A mudança de comportamento na educação requer tempo, pesquisa, entrega, sensibilidade e entendimento de todos. Em Araguaína, estamos no caminho!”.

 

Sobre os Embaixadores da BNCC 

Os Embaixadores da BNCC são um grupo de técnicos de secretarias de Educação municipais e estaduais de todo país com larga experiência e comprometidos com a implementação. A iniciativa, apoiada pelo Movimento pela Base, tem dois objetivos principais: 

  • Valorizar o trabalho realizado por técnicos de secretarias municipais e estaduais de educação relacionado à implementação da BNCC e dos currículos, dando visibilidade às boas práticas de gestão;
  • Proporcionar a formação aos profissionais, oferecendo palestras, mentoria e momento para troca de experiências para aprofundamento dos conhecimentos.

Para ver mais informações sobre a iniciativa e conhecer melhor o trabalho de cada um deles, clique neste link.