Novo Ensino Médio

[Análise] Mesmo com a pandemia, precisamos avançar

Ações na pandemiaAnálises e contextosCurrículos do EM

Por Rossieli Soares, Secretário de Educação do Estado de São Paulo

Este ano de 2021 tem sido de muitos desafios para a educação paulista. Mesmo com a pandemia, temos em mente que precisamos continuar com o trabalho que vínhamos fazendo antes do novo coronavírus entrar nas nossas vidas. A tarefa se tornou mais complexa, mas com o atual nível de qualidade da nossa educação, principalmente no ensino médio, não dá para deixar para depois.
Decidimos, assim, iniciar a implementação do novo currículo paulista do ensino médio, que foi homologado no ano passado. São Paulo foi o primeiro estado do país a construir o documento, determinado pela lei do Novo Ensino Médio, sancionada em 2017. O processo de construção do currículo foi iniciado em 2019, com a escuta de 140 mil estudantes e 18 mil professores, além de debates em seminários e abertura de consulta pública. Ao todo foram 27 redatores escrevendo o texto.
Apesar das dificuldades, a pandemia não causou atraso no cronograma, pois nos preparamos para isso. São 1,5 milhão de estudantes de ensino médio na rede estadual paulista e o início ocorreu pelos que estão matriculados na 1ª série desta etapa. Em 2022 o Novo Ensino Médio segue para os estudantes da 2º série, e consequentemente, para a 3ª série, no ano de 2023. São Paulo conta com mais de 3,7 mil escolas estaduais que recebem alunos dessa etapa de ensino. No caso das escolas particulares, estas terão até 2022 para iniciar a implementação, conforme deliberação do Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo, CEE 186/2020.
A principal vantagem do Novo Ensino Médio é a de aproximar os estudantes das transformações da sociedade e do mundo do trabalho do século XXI. Além disso, estamos permitindo ao estudante construir sua trajetória com um maior tempo dedicado ao conteúdo escolhido com foco no protagonismo, atuação ativa na escola e em relação ao projeto de vida desenhado.
Na carga horária referente aos itinerários formativos, o estudante precisa escolher uma ou duas áreas de conhecimento da formação geral para aprofundar seus estudos, ou ainda, a formação técnica e profissional para se aprofundar. No caso do Ensino Médio paulista, o currículo está estruturado em 3.150 horas, distribuídas em um período de três anos, com 1.800 horas destinadas à formação básica e o restante, de 1.350 horas, referente aos itinerários formativos. Estes itinerários terão mais do que a carga mínima prevista legislação.
O novo modelo do Ensino Médio busca corrigir as distorções que o Brasil ainda tem nesta etapa de ensino e equilibrar às medidas que já são adotadas por outros países como Chile, Austrália, Estados Unidos, entre outros. Agora estamos dando aos estudantes o acesso a todas as aprendizagens essenciais dos componentes curriculares, além de um aprofundamento naqueles em que o jovem tem maior interesse. Os itinerários formativos, como chamamos, ajudam o estudante a estar mais preparado para o mundo do trabalho e para o ingresso no ensino superior.
A implementação está em curso em toda a rede estadual de ensino desde o início do ano letivo. Por conta das restrições impostas pela pandemia, parte das aulas ocorrem de forma presencial e outra parte remota. O Centro de Mídias de São Paulo (CMSP) tem papel fundamental nesse processo, com aulas acontecendo por meio dos canais digitais. O CMSP também tem auxiliado na formação dos profissionais, com aulas de trabalho pedagógico coletivo (ATPC), seminários, lives e trilhas formativas.
Neste momento, também são realizadas lives semanais com a abordagem do novo Ensino Médio, e disparamos informações nos canais de comunicação interna da rede estadual. Folders também foram encaminhados para as escolas, além da criaçaõ de um site específico do currículo onde são disponibilizados os materiais informativos, materiais de formação e materiais de apoio aos professores e estudantes.
Por tudo isso, buscamos manter o cronograma de implementação para a nossa rede. Como todos estão cansados de saber, a nossa educação no Brasil não pode mais esperar por essa evolução de qualidade que com certeza o Novo Ensino Médio dará.