Redes de EI e EF

Construção curricular e educação integral em Manaus (AM)

Boas práticasCurrículos de EI e EFEmbaixadores da BNCC

A responsabilidade da Secretaria de Educação Municipal de Manaus é imensa: são cerca de 13 mil professores, 253 mil alunos e pouco mais de 500 escolas. Quem vive na rotina da rede como técnica da secretaria desde 2016 é Vera Lúcia Lima da Silva. Ela trabalha na educação há 28 anos, já tendo sido professora, gestora escolar e técnica da secretaria estadual do Amazonas. É também participante do Programa de Embaixadores da BNCC (saiba mais sobre essa iniciativa do Movimento pela Base no final da página). 

Vera acompanhou mudanças importantes nos últimos anos: discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em 2017, elaboração do Referencial Curricular Amazonense entre 2018 e 2019 e do currículo municipal de Manaus em 2020.

“A equipe da secretaria e os educadores da rede tiveram um percurso de estudo sobre a BNCC e o referencial do estado ao longo dos anos. Com isso, puderam construir o currículo municipal já considerando as concepções sobre ensino e aprendizagem, educação integral e a organização do currículo que contempla competências e habilidades”, conta Vera. 

Mesmo durante a pandemia, com as escolas fechadas e as adaptações para o ensino remoto, a equipe de elaboração do currículo municipal conseguiu fazer reuniões a distância, escrever e ter o documento homologado ainda em 2020 (na imagem acima, o encontro virtual que marcou o lançamento do currículo municipal). Vera foi a coordenadora do grupo de trabalho do Ensino Fundamental, e tinha conversas constantes com os demais especialistas e coordenadores para garantir que o texto fosse coeso, mostrasse a integração entre as áreas. Foram cerca de 100 profissionais envolvidos para fazer os textos de Educação Infantil e Ensino Fundamental, além dos representantes das universidades que fizeram leituras críticas.

“Sabíamos da urgência de ter um currículo alinhado com a BNCC que pudesse orientar o trabalho dos educadores, o que é muito diferente de ter como referência matrizes de avaliações externas ou livros didáticos que já estão alinhados com BNCC e fazendo parte do cotidiano das escolas”, diz. A secretaria fez a apresentação oficial do documento para os professores e gestores em uma transmissão ao vivo em abril de 2021, e a previsão é que o currículo esteja implementado nas escolas no segundo semestre.

 Educação integral: tempo ampliado ou concepções na rotina

Como a rede de Manaus tem acompanhado as discussões sobre educação integral desde a elaboração da BNCC e essas concepções foram incorporadas no referencial estadual e no currículo municipal, as escolas valorizam as diferentes formas de desenvolvimento das crianças e jovens. “Sabemos que não é só o aprendizado de conteúdos o que importa, e sim o desenvolvimento de outras dimensões, como social e emocional”, afirma Vera. Oito das escolas – sete delas dos anos iniciais do ensino fundamental e outra que atende estudantes dos anos finais – têm práticas de educação integral incorporadas de forma consistente na rotina, que tem horário estendido. Mas mesmo aquelas que atendem as turmas em período parcial têm procurado trabalhar considerando o desenvolvimento completo dos estudantes. “Em 2020, fizemos diversas formações com 500 diretores de escolas para ouvir e contar como a educação integral é vivida na prática, com assembleias ou participação das famílias, por exemplo. Aqueles que tinham práticas consolidadas compartilharam seus saberes com os demais, o que contribuiu para a troca de experiências e o aprendizado entre os pares. Achamos importante encantar os diretores para que eles também queiram que a educação integral faça parte de suas escolas”, diz. Os encontros fizeram tanto sucesso que a secretaria já está organizando novas vivências como essas. 

Neste momento em que a pandemia gerou tantas incertezas, perdas e tristezas, a rede tem procurado reconhecer que os estudantes precisam de muito mais do que o desenvolvimento intelectual, conforme explica Vera: “Temos crianças e professores destruídos emocionalmente. Pessoas que perderam seus pais, avós, estão sem emprego, vivem o luto e precisam de acolhimento. É necessário olharmos as crianças e jovens de forma diferenciada, com escuta e reconhecendo as fragilidades”. Para Vera, fortalecer a educação integral é uma forma perfeita de lidar com esse momento, além de garantir a implementação do currículo e de fazer com que a BNCC se concretize na escola.

 

Sobre os Embaixadores da BNCC 

Os Embaixadores da BNCC são um grupo de técnicos de secretarias de Educação municipais e estaduais de todo país com larga experiência e comprometidos com a implementação. A iniciativa, apoiada pelo Movimento pela Base, tem dois objetivos principais: 

  • Valorizar o trabalho realizado por técnicos de secretarias municipais e estaduais de educação relacionado à implementação da BNCC e dos currículos, dando visibilidade às boas práticas de gestão;
  • Proporcionar a formação aos profissionais, oferecendo palestras, mentoria e momento para troca de experiências para aprofundamento dos conhecimentos.

Para ver mais informações sobre a iniciativa e conhecer melhor o trabalho de cada um deles, clique neste link.

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