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Educação integral é central no currículo de Tremembé (SP)

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Em 2020, durante os meses de fechamento das escolas e de isolamento social provocados pela pandemia de Covid-19, a rede municipal de educação de Tremembé, no interior de São Paulo, teve uma preocupação: manter um estreito contato com os estudantes e suas famílias. A rede adotou o lema “Ninguém em casa sem aprender, porque famílias e escolas estão juntas” e se mobilizou para buscar equidade na oferta da educação mesmo com tantos desafios. 

Esse movimento foi possível porque o currículo municipal, construído coletivamente com a comunidade escolar entre 2018 e 2019, teve como centro a educação integral em alinhamento à Base Nacional Curricular Comum (BNCC). Ter um diagnóstico preciso sobre a rede, assegurar o desenvolvimento completo de crianças e jovens e estar próximo à comunidade já fazia parte, portanto, do olhar de educadores, famílias e estudantes mesmo antes da pandemia. 

Iniciativas para o desenvolvimento completo

A atenção para a educação integral no município vem de longe, com iniciativas como o FAST (programa internacional de incentivo à participação das famílias na vida escolar das crianças), o programa Mais Educação e o projeto Comunidade de Aprendizagem (com olhar voltado para o território). 

Mas com os estudos sobre a BNCC e o apoio técnico do Centro de Referência em Educação Integral, iniciativa da Associação Cidade Escola Aprendiz, foi possível incluir a educação integral também no currículo da rede municipal. “Queríamos reescrever as diretrizes curriculares aproveitando que a BNCC trouxe uma oportunidade de transformação profunda para a educação brasileira. Ficamos mobilizados para proporcionar aos educadores momentos de estudo e reflexão sobre valores e princípios teóricos da educação integral, o que é fundamental para a Base”, diz Cristiana Berthold, secretária municipal de educação até 2020.

Estudos sobre a BNCC

As formações sobre os princípios de educação integral foram realizadas com os profissionais da secretaria de educação, coordenadores pedagógicos, diretores das escolas e professores, e incluíram leitura de textos, discussões sobre vídeos e caminhadas nos espaços públicos do município para refletir sobre como as escolas poderiam se conectar com diferentes realidades. 

A ideia, segundo a secretária, foi utilizar as propostas da Base que indicam o olhar para a cultura do território e como isso pode ser implementado na escola, num movimento contínuo de reflexão. “Testamos metodologias ativas, planejamentos diferenciados e propusemos desafios aos educadores. Eles perceberam que seus alunos poderiam aprender também de diferentes formas, como sentados no chão, com celular na mão ou andando pela comunidade. Experimentamos propostas sem pressa, porque era preciso saber se as ideias teriam sustentação na prática”, disse Cristiana. “Cada escola também envolveu estudantes e seus familiares, em um processo para verificar o que era significativo em cada ambiente. Tudo que era produzido com a participação da comunidade se tornava subsídio para o desenho do currículo”, lembra Victor Narezi, coordenador técnico da Secretaria de Educação na época. 

Continuidade, mesmo com rupturas

No final de 2020, todas as escolas receberam os currículos também impressos. Como a educação integral foi incorporada ao documento, as propostas mais estruturantes se mantém mesmo com a pandemia ou mudanças de equipes das escolas e secretaria. Além disso, conta Victor, a comunidade escolar já tem seus próprios mecanismos de comunicação e divisão de tarefas, então consegue se organizar com certa autonomia mesmo em situações mais complexas. “A educação precisa estar voltada para a equidade. Como a secretaria tem um conhecimento profundo sobre as diferentes realidades no território, fica mais simples direcionar recursos e apoios diversos para cada localidade, sempre com o objetivo de oferecer a melhor educação possível e, agora, sustentada no currículo”, diz.

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