Elaine Noeli Elsenbach, educadora há mais de 30 anos, é técnica da secretaria de educação de Canarana, no Mato Grosso, e participante do programa Embaixadores da BNCC (saiba mais sobre essa iniciativa do Movimento pela Base no final da página). Desde 2017, quando entrou na secretaria, acompanhou as mudanças e adequações na rotina de estudos da rede. 

Ela lembra que em 2018 houve formações dos educadores sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Em 2019, o Documento de Referência Curricular do Mato Grosso (DRC/MT) foi aprovado e a rede municipal aderiu a ele. Ter esses documentos prontos colaborou para que os educadores estivessem estruturados em 2020, quando começou a pandemia, e profissionais e famílias precisaram enfrentar o fechamento das escolas e o início das aulas remotas. Em 2021, as escolas reabriram com diversas restrições e as atividades a distância continuam ocorrendo. As novidades, como se vê, são constantes. Para estar atento ao contexto e acertar na tomada de decisões, Elaine conta que o trabalho em equipe é essencial.  

Novos coordenadores pedagógicos e a formação dos educadores

Até 2017, as 15 escolas (3 delas indígenas e 5, rurais) de Canarana não tinham coordenadores pedagógicos e os diretores acumulavam a função administrativa e pedagógica. Ano a ano o número de coordenadores nas escolas aumentou e o trabalho dos profissionais ficou mais fortalecido. 

Em 2018 em diante, secretarias municipais e a estadual, além da Undime Mato Grosso, firmaram parcerias para realizar formações. “Os participantes da rede nos encontros atuaram como multiplicadores nas unidades escolares para fortalecer o processo de implementação dos documentos orientadores, a BNCC e o DRC/MT. Foram momentos de reflexões sobre potencialidades e fragilidades do contexto escolar, sobre o alinhamento dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPPs) das Unidades escolares e o Regimento Escolar”, diz Elaine. 

Como resultado desse percurso de trabalho, a formação dos gestores e professores passou a considerar novos aspectos: “Passamos de uma ação pedagógica centrada no ensino para um trabalho com foco prioritário na aprendizagem e no desenvolvimento do estudante, de acordo com a BNCC e o Documento de Referência Curricular. O processo implica conhecer e considerar vivências e experiências do estudante e potencializar o desenvolvimento de habilidades e competências. Fica evidente que é essencial mediar o processo junto ao estudante, com intervenções que o levem ao desenvolvimento, e não apenas ao cumprimento de conteúdos. Colocar isso em prática é muito desafiador para todas as equipes de trabalho, mas é nosso foco”, diz. 

O trabalho contínuo e aprofundado mostra resultados, principalmente quando os desafios trazidos pela pandemia ficaram acentuados. “Agora percebe-se que os educadores reconhecem a importância de trabalhar atividades que garantam o protagonismo dos estudantes”. Ela conta da preocupação em construírem atividades que deixem evidências quanto ao alcance dos objetivos propostos. Para isso, explica, as atividades devem fazer com que as crianças mostrem o que já conseguem compreender e usar o conhecimento aprendido, e não apenas apontar uma resposta correta sobre um dado explícito, por exemplo. 

 

Organização e uso de instrumentos de acompanhamento

“Depois da experiência de 2020, notamos que não seria possível contemplar, em 2021, todo o planejamento previsto para os estudantes. Então priorizamos as habilidades da BNCC e guiamos nossos esforços para objetivos comuns. Sabendo o que as crianças precisam aprender, garantimos um equilíbrio entre as áreas ensinadas e promovemos equidade entre escolas e turmas”, conta Elaine. 

Mais uma vez, o trabalho em equipe funciona coordenado. Usando arquivos compartilhados na internet, a equipe pedagógica da secretaria e os gestores das escolas, em parceria com os professores, indicam as habilidades que precisam ser priorizadas a cada semana e quais os objetivos devem ser alcançados. Em seguida, os educadores montam propostas das aulas presenciais, com um roteiro das atividades (são entregues aos estudantes) e o monitoramento sobre o processo vivido (que fica arquivado na escola). Elaine relembra: “Conceber essas planilhas foi um processo trabalhoso! Nosso secretário de educação deu a ideia, envolveu a secretaria, falamos com gestores e professores. Foram várias versões dos documentos, reuniões para discussão e um processo de convencimento sobre as mudanças. Não queríamos que gerasse uma sobrecarga para os professores, mas que fosse uma ferramenta de acompanhamento do que estava sendo feito pelos profissionais”.

Atividades presenciais e à distância

Para evitar aglomerações e respeitar os protocolos sanitários, as escolas estão funcionando em 2021 com 25% da capacidade, o que exige um escalonamento de quais alunos são atendidas dia a dia. Uma vez por semana, os professores de cada turma se concentram em encontros virtuais ou presenciais com aqueles que não estão frequentando o espaço escolar em outros dias, seja por questões de saúde da criança ou da família.

Para complementar o que é trabalhado na escola, todas as crianças recebem ainda atividades específicas para serem feitas em casa, sempre tendo como referência para o planejamento a BNCC e o currículo do território: elas ficam disponíveis em uma plataforma do município e também são entregues impressas. “Sabemos que nem todos os estudantes têm acesso ao Whatsapp e à internet, por isso criamos estratégias de contato variadas para manter o elo de comunicação e garantir as aprendizagens prioritárias. Nas unidades escolares indígenas, que têm estudantes sem fluência na Língua Portuguesa, o atendimento está sendo presencial. Nas escolas rurais há turmas multisseriadas e as atividades precisam contemplar essa especificidade. Todas as situações exigem atenção”, diz a educadora. 

 

Sobre os Embaixadores da BNCC 

Os Embaixadores da BNCC são um grupo de técnicos de secretarias de Educação municipais e estaduais de todo país com larga experiência e comprometidos com a implementação. A iniciativa, apoiada pelo Movimento pela Base, tem dois objetivos principais: 

  • Valorizar o trabalho realizado por técnicos de secretarias municipais e estaduais de educação relacionado à implementação da BNCC e dos currículos, dando visibilidade às boas práticas de gestão;
  • Proporcionar a formação aos profissionais, oferecendo palestras, mentoria e momento para troca de experiências para aprofundamento dos conhecimentos.

Para ver mais informações sobre a iniciativa e conhecer melhor o trabalho de cada um deles, clique neste link.