Redes de EI e EF

Em Itaoca (SP), formação com educadores e secretaria inclui estudos e prática

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A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o currículo do estado de São Paulo e o currículo municipal fazem parte da rotina dos educadores nas escolas e dos técnicos da secretaria de educação de Itaoca, município a 330 quilômetros da capital paulista. A formação continuada dos profissionais inclui estudos frequentes desses documentos, momentos de reflexão sobre a prática e troca de experiências. “A BNCC norteia nosso trabalho desde 2017, quando começamos a nos apropriar do texto e apresentamos aos familiares dos estudantes o que estava previsto nas novas orientações. Em 2018, com a Base homologada, já fizemos reuniões sobre as Competências Gerais e, desde então, ano a ano, reforçamos as ideias apontadas, sempre trazendo diferentes elementos de análise”, conta Regina Célia Nunes da Silva Oliver, Secretária Municipal de Educação desde 2017.

 

Como as formações são organizadas

A formação continuada é organizada com secretarias e professores. Com a equipe técnica, os encontros são feitos em parceria com as câmeras técnicas de educação dos 27 municípios que compõem o Codivar Educação, que é o Consórcio de Desenvolvimento Intermunicipal do Vale do Ribeira e Litoral Sul, do qual Itaoca faz parte. Essas secretarias compõem ainda um outro grupo, que é a Rede de Colaboração Intermunicipal em Educação, apoiada pelo Itaú Social.

Representantes das secretarias de cada localidade são divididos em polos, priorizam demandas e realizam formações. Em seguida, os conteúdos são repassados por esses profissionais para os educadores de suas redes. Esse formato beneficia todos os municípios participantes, porque trabalham coletivamente para organizar as formações, dividem custos, somam experiências e aprendem com os demais. “Em 2020, falamos sobre muitos assuntos, como protocolos sanitários para lidar com o coronavírus e Mapas de Foco, que orientam a flexibilização curricular tendo como referência as habilidades da BNCC. Neste momento de pandemia, em que as escolas estão fechadas, esses temas são essenciais para todas as redes”, diz Oliver. Para 2021 já estão previstas novas formações, como a de conselhos escolares, visto que grande parte dos conselheiros iniciou sua atividade neste ano.

Além dos encontros com os grupos da câmara técnica, há momentos específicos para os 15 professores do município. Em Itaoca, um terço da jornada dos educadores é dedicada aos estudos e à preparação de aulas, com encontros individuais com a coordenação pedagógica e outras horas para discussões coletivas, conforme explica Mareli Dantas de Paula Volner, coordenadora da área pedagógica na secretaria desde 2018 (abaixo, fotos das formações virtuais; no topo da página, um dos encontros presenciais).

“Os estudos alimentam as práticas e o trabalho com os estudantes gera reflexões, fazendo com que estejamos em constante crescimento”, conta. Embora os momentos formativos abarquem diversos temas, a experiência que o município teve até 2019 com o Programa Letra Viva, iniciativa do Cenpec para formação de alfabetizadores, colaborou com uma forma de trabalho ainda mais eficiente. Com o Letra Viva, a equipe aprimorou estratégicas de formação, desenvolveu metas de aprendizagem e a realização de diagnósticos, e incorporou as boas práticas ao cotidiano.

Neste período de isolamento social e de escolas fechadas, no último ano as formações também aproveitaram conteúdos nos vídeos, cursos e materiais para educadores disponíveis na internet, acompanhando necessidades e oportunidades atuais. Para que os estudos realizados individualmente também fossem contabilizados como horas de trabalho de cada educador, Volner criou um controle das tarefas acompanhando as atividades e suas comprovações. “Temos que estar de olho nas novidades e reconhecer que existem oportunidades formativas em diferentes ambientes. Ao mesmo tempo, precisamos registrar como estão aproveitando as horas de formação”, diz.

 

Construção do currículo

Todas essas atividades realizadas por Itaoca com os professores em 2021 – mesmo com os desafios cotidianos sendo aprofundados pela pandemia – são mais um passo para a implementação do currículo local e resultado de um percurso cuidadoso da equipe da educação.

Desde 2019, a secretaria contribuiu ativamente com sugestões para o currículo paulista até sua homologação. Em seguida, iniciou adequações específicas para o currículo do município, aprovado no mesmo ano, procurando manter a educação integral como centro. Os frutos do trabalho realizado em 2020 e 2021 com as cerca de 230 crianças matriculadas são comemorados: “Mesmo com o fechamento das escolas e a prática dos educadores sendo realizada de forma remota, com atividades impressas e as primeiras aulas virtuais com as turmas, já conseguimos ver que o nosso currículo está sendo contemplado nas atividades. Com trocas constantes entre professores e coordenação, formações e aprendizados frequentes, aos poucos estamos avançando”, diz Oliver.

E Volner complementa: “Os educadores já se apropriaram com a linguagem e com os objetivos da BNCC. Vemos em seu discurso, no planejamento das atividades e rotinas que incorporaram os direitos de aprendizagem, veem a necessidade de realizar um trabalho integrado contemplando os Campos de Experiências e as habilidades que precisam ser desenvolvidas com os estudantes”.