Lamentamos a aprovação pela Câmara dos Deputados da regulamentação do ensino domiciliar no Brasil, prática conhecida como homeschooling, e que tem, atualmente, a adesão de cerca de 7,5 mil famílias, de acordo com a Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned). Acreditamos que o ensino domiciliar fere a garantia dos direitos de aprendizagem das crianças e jovens, protegidos pela Constituição Federal, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Para nós, a vivência na escola é imprescindível para consolidar a proposta de educação integral da BNCC, que se apoia no desenvolvimento de competências e habilidades complexas, que vão muito além do conteúdo.

Para que essa proposta se firme na prática, é preciso garantir a construção intencional de processos educativos que sejam capazes de promover aprendizagens sintonizadas com as necessidades, as possibilidades e os interesses de crianças e jovens e, também, da sociedade em que vivemos. 

Como organização que atua para garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento de todas as crianças e jovens, por meio da implementação da BNCC e do Novo Ensino Médio, sabemos como é complexa a organização do processo de ensino e aprendizagem. É necessário pensar no que crianças e jovens têm o direito de aprender, em quais são as melhores formas de realizar esse processo, em quais materiais didáticos e pedagógicos podem servir de apoio, em como avaliar se a aprendizagem está acontecendo ou não. 

Para promover as aprendizagens mais complexas previstas na BNCC, a atuação docente se torna ponto crítico. Se para os 2,2 milhões de professores, que já têm estudo e experiência para o ensino, a formação é uma etapa crucial para ensinar as aprendizagens previstas nos currículos alinhados à BNCC, de que forma as famílias poderão de fato se preparar para essa tarefa? 

Por fim, mas não menos importante, acreditamos na escola como local de convivência, troca, experiência, construção coletiva e estabelecimento de relações. A escola oferece a possibilidade de ampliação do universo de crianças e jovens além dos limites do círculo familiar. E, com a implementação da BNCC e do Novo Ensino Médio, se torna uma instituição com potencial de oferecer ainda mais ferramentas para que os estudantes estejam aptos a aplicar seus conhecimentos para a vida, atuando como cidadãos ativos e capazes de concretizar seus projetos de vida, tanto no âmbito profissional e acadêmico quanto pessoal. 

Lamentamos profundamente que,  diante de tantos desafios para melhorar a qualidade e o acesso à educação, acentuados pela pandemia, o foco e a prioridade do Governo Federal não estejam na redução do abandono escolar, nas defasagens de aprendizagem, no cuidado com a saúde mental de toda a comunidade escolar. 

Esperamos que o Senado Federal, ciente do compromisso com a garantia de uma educação de qualidade, barre o projeto em trânsito, reconhecendo a escola como local imprescindível para a aprendizagem e para a formação de cidadãos mais conscientes e preparados para viver – e conviver – no mundo contemporâneo.

Últimas

Programa Impulso capacita lideranças públicas para fortalecer a educação brasileira

Formação gratuita do Ensina Brasil foca em gestores que coordenam equipes e projetos em secretarias de educação  O Ensina Brasil abriu inscrições para a edição 2026 do Programa Impulso, uma formação intensiva e gratuita voltada a lideranças públicas que atuam na educação básica. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a capacidade de gestores que estão na linha de frente da implementação de políticas educacionais, com foco na promoção de equidade e no aumento da presença de mulheres e pessoas negras em posições estratégicas.  As inscrições seguem abertas até 27 de abril e podem ser realizadas em grco.de/impulso-2026.  Para quem é o programa  O Impulso é destinado a profissionais que ocupam posições de gestão no setor público educacional — como Chefes de Divisão, Diretores de Departamento ou Coordenadores de Área — em redes municipais, estaduais ou federais.  Os requisitos para participação são: ter atuado por pelo menos um ano em escolas públicas (como professor(a) ou gestor(a)); estar atualmente em cargo de gestão que coordena equipes e projetos; e desejar ampliar sua atuação institucional.  A turma terá 100 participantes, com compromisso de garantir 50% de mulheres e 50% de pessoas negras entre os selecionados.  Uma jornada de seis meses  O programa acontece ao longo de seis meses, em formato híbrido, combinando encontros presenciais em São Paulo e módulos online. Ao todo, são 80 horas de formação distribuídas em dois encontros presenciais de três dias em São Paulo (junho e dezembro), seis módulos online e encontros mensais de…