No dia 16 de setembro, o MEC lançou a primeira versão da Base Nacional Comum Curricular e, até 15 de dezembro, irá receber o 1º ciclo de sugestões de cidadãos, escolas e instituições interessados em contribuir na redação do texto, que é um marco importante rumo à garantia de uma educação que ofereça oportunidades iguais para todos os alunos do Brasil.

Para incentivar a participação de professores, profissionais fundamentais no sistema educacional, o Movimento Pela Base Nacional Comum lança hoje uma campanha com conteúdo e informações especialmente para esse público. “Sabemos que o processo de elaboração da Base Nacional Comum ainda está distante do cotidiano dos professores, sendo assim, precisamos informá-los e reforçar que um currículo nacional de qualidade só será feito com a participação de quem conhece os desafios da sala de aula“, explica Alessio Costa Lima, presidente da Undime nacional.

A consulta pública está aberta no Portal da Base Nacional Comum do MEC para pessoas físicas, escolas e instituições que queiram colaborar.

A Base Nacional Comum Curricular faz parte das metas definidas pelo Plano Nacional de Educação e deve determinar os conhecimentos e as habilidades essenciais que todos os alunos brasileiros têm o direito de aprender, em cada ano da Educação Básica. Será obrigatória para todas as escolas do Brasil. “A Base Nacional Comum Curricular é considerada a espinha dorsal do sistema educacional, a partir da qual vários outros aspectos fundamentais se organizam. A formação de professores, produção de material didático e avaliação, por exemplo, passam a ter uma referência comum”, explica Eduardo Deschamp, Secretário de Estado da Educação de Santa Catarina, presidente do Consed e membro do Movimento pela Base Nacional Comum.

Formado por um grupo plural de pessoas e organizações com longo histórico de atuação na área da Educação, O Movimento Pela Base Nacional Comum Curricular se reúne desde 2013. Os participantes da iniciativa buscam facilitar e acelerar o processo de construção da Base, apoiando e disseminando pesquisas que alimentem o debate e mobilizando gestores, acadêmicos, pesquisadores, professores, líderes da sociedade civil organizada em torno da causa.

Na pesquisa Conselho de Classe, que ouviu professores do Brasil inteiro, 70% afirmaram concordar com a ideia de que, se todas as escolas do país tivessem uma base comum, as desigualdades educacionais diminuiriam. Além disso, com a Base, pais e responsáveis terão acesso, de forma transparente, aos conhecimentos e habilidades que os alunos deverão saber ao final de cada ano letivo. “Isso facilitará tanto o papel da família, que acompanhará mais de perto o desempenho dos filhos, como também dos professores, que planejarão melhor as aulas, as trocas de experiências e as avaliações, identificando deficiências e soluções com mais agilidade”, afirma Guiomar Namo de Melo, Consultora de projetos educacionais e de formação de professores na SEE- SP e no MEC e membro do Conselho Estadual de Educação de SP.

O que muda com a Base

Ao fazer valer este documento único com as mesmas expectativas e critérios para todos, a Base Nacional Comum Curricular pretende promover a qualidade com equidade. Ou seja, não importa onde a criança estuda, ela terá garantido o seu direito de aprender um conjunto essencial de conhecimentos e habilidades.

Além disso, é a chance de o país definir, como nação, o que quer que seus jovens aprendam. Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare, alerta que “este é o momento de garantir que a Base Nacional, além de determinar conteúdos, também seja capaz de abarcar o desenvolvimento integral do aluno, ou seja, competências sociais, emocionais, físicas e culturais que preparem esse aluno para o mundo, para que ele seja capaz de utilizar em sua vida os conhecimentos aprendidos na escola”.

A desconexão entre o que se aprende na escola hoje e o que é exigido na vida profissional foi um dos pontos destacados pela pesquisa Projeto de Vida, realizada pela Fundação Lemann, com apoio técnico do Movimento Todos pela Educação, e que entrevistou professores universitários, empregadores, líderes da sociedade civil e jovens recém-formados no Ensino Médio, em sua maioria de escolas públicas, das cinco regiões do país.

Com foco em conteúdos, os currículos que predominam nas escolas hoje são extensos, pouco aprofundados e não favorecem a integração entre as diferentes áreas do conhecimento. Assim, fica difícil para professores e alunos fazer a conexão entre o que é trabalhado em sala de aula e o mundo fora da escola. O que reforça a ideia de que um documento como a Base Nacional Comum Curricular poderia corrigir essa distância.

Para saber mais, acesse a página do Movimento: movimentopelabase.org.br.

Saber onde se quer chegar, ajuda a caminhar.

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