Novo Ensino Médio

Formação dos educadores do Distrito Federal para o Novo Ensino Médio

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Essencial para a implementação do Novo Ensino Médio e para o trabalho coordenado  entre escolas, a formação continuada para profissionais da educação está prevista na Portaria nº 521, que definiu em julho de 2021 o cronograma das mudanças para a etapa. De acordo com a regulamentação, as redes estaduais de ensino deveriam iniciar suas formações naquele ano e dar prosseguimento até pelo menos 2024, quando a implementação for concluída para o 1o, 2o e 3o anos do Ensino Médio.

Uma das redes que vêm se destacando nesse processo é o Distrito Federal (DF), que iniciou a formação continuada para o Novo Ensino Médio em 2019. Na primeira fase, que durou até o primeiro semestre de 2020, a formação foi indicada para as 12 escolas que implementaram o Novo Ensino Médio em caráter piloto. 

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Simultaneamente à formação, foi lançada a 1ª Consulta Pública do Currículo em Movimento das Escolas-Piloto do Novo Ensino Médio para contribuição de  toda a comunidade escolar. A consulta serviu como primeiro contato das escolas com a versão revisitada do currículo, e recebeu críticas e contribuições que serviram de base para a nova versão do texto. 

Em 2020, ocorreu uma segunda consulta pública, cujas contribuições, juntamente com pareceres de novos leitores críticos, formaram o currículo entregue para apreciação do Conselho de Educação do Distrito Federal em novembro do mesmo ano (abaixo, Hélvia Paranaguá, Secretaria de Educação do DF, em encontro formativo).

Em 2021, com o novo currículo aprovado, a rede estendeu a formação para todas as escolas. Para tal, os coordenadores pedagógicos foram formados primeiro para, em seguida, repassar as mudanças aos docentes nas escolas. 

O processo formativo foi centralizado na Escola de Aperfeiçoamento de Profissionais – a EAPE – responsável pela formação de toda a rede distrital, desde a Educação Infantil, incluindo as 98 escolas de Ensino Médio. Segundo Maria das Graças de Paula Machado, Subsecretária de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (foto abaixo), a EAPE atua para garantir que as mudanças na Educação Básica tenham capilaridade e cheguem a todas as escolas de modo organizado.

“Para o Novo Ensino Médio, sentimos a necessidade de uma implementação melhor e com mais acompanhamento. Há questões para organizar e acomodar, como os critérios de avaliação, o formato de eletivas e das trilhas, que ainda precisam ser bem definidos e estruturados. Estamos nesse processo. Ainda há insegurança e grande necessidade de formação continuada, pois esse novo olhar coloca para o professor questões como ‘onde eu estou’ e ‘como sair da zona de conforto para alçar outros voos’. É um processo de aprendizagem para todos”, destaca.

Adequações da formação continuada para o Novo Ensino Médio

O currículo do DF para o Ensino Médio foi homologado em 2020 – o segundo entre as 27 redes estaduais a ficar pronto em todo o país. Segundo Raquel Alves Ornelas, coordenadora intermediária da Unidade de Educação Básica do Gama (Unieb), o currículo “privilegia o trabalho interdisciplinar dentro de cada área do conhecimento, assim como transdisciplinar entre as áreas, ao articular os saberes específicos dos componentes e das unidades curriculares a partir de um ponto de vista global de determinado campo do saber”. A Unieb atua fazendo a ponte da EAPE com as escolas e outras unidades administrativas, em ações que são coordenadas por Raquel em parceria com Raphael Almeida Sousa e Elisângela Carvalho Machado (na foto do alto da página).

A formação continuada dos profissionais do Ensino Médio leva em conta essa nova abordagem do currículo e está estruturada em quatro etapas. Na primeira parte, a formação aconteceu com a equipe da EAPE e foi oferecida pela Diretoria de Ensino Médio. Em seguida, os profissionais da EAPE formam os coordenadores que atuam em regionais de ensino, que, por sua vez, ficam responsáveis pelos coordenadores pedagógicos da escola, que então realizam a formação dos seus professores.

Esse tipo de organização da formação continuada já era comum na rede. A grande mudança da formação para o Novo Ensino Médio ocorreu porque o currículo passou a ser organizado por Formação Geral Básica (FGB) e Itinerários Formativos (IF), como explica Raquel. “Tanto a FGB quanto os IF têm como foco o alcance  de objetivos de aprendizagem dos estudantes, o desenvolvimento de habilidades e competências estabelecidas na BNCC”. 

Para Vivina Amorim Sousa, que atuou na construção e redação do currículo da rede para o Novo Ensino Médio, o maior diferencial do novo formato dessa etapa de ensino são os Itinerários Formativos. “A Formação Geral Básica não é difícil de ser pensada, pois estamos habituados em nossas áreas. Os itinerários, porém, são totalmente novos, com divisão em trilhas e eletivas que não faziam parte da rotina das escolas”.

Outro diferencial que precisou ser incluído nas formações foi o Projeto de Vida, que no DF será oferecido  aos alunos como uma eletiva de duas horas-aula semanais. Segundo Vivina, isso fez com que o tema necessitasse de uma formação separada e aberta a todos os profissionais da rede, com reuniões periódicas de formação, orientação e troca entre os profissionais. 

Além das formações com os coordenadores pedagógicos, em 2021 também foram realizados treinamentos para as outras unidades administrativas envolvidas na implementação do Novo Ensino Médio – como a Unidade de Planejamento e Tecnologia (Uniplat) e a Unidade de Gestão de Pessoas (Unigep). “Essa interação e parceria entre as equipes foi essencial para o sucesso do trabalho”, pondera Raquel.

A Unieb Gama também realizou encontros com todos estudantes do 9º ano, a fim de orientá-los a respeito da importância do seu protagonismo na definição das suas escolhas durante o percurso de aprendizagem dentro do novo sistema.

A Subsecretária Maria das Graças explica que, ao ser expandida para todas as escolas do Ensino Médio, a formação foi ampliada, passando de 90 horas para 180 horas, com atividades semanais que aconteciam de forma remota até 2021. 

Para este ano, parte da formação será mantida on-line e outra parte será realizada em quatro polos presenciais, permitindo uma maior interação e troca entre educadores. “Além disso, estamos formando profissionais do EAPE para atender as escolas de forma mais personalizada, que permita ajudar as unidades nas dificuldades e dúvidas de implementação”, destaca.

A rede também fez a formação dos professores de contrato temporário e efetivos recém-chegados ao Ensino Médio, bem como dos orientadores educacionais e equipes de apoio à aprendizagem para atuarem diretamente com os estudantes dos anos finais, facilitando assim a transição para o Novo Ensino Médio.

Desafios atuais e projetos para o futuro

Como todos os estados, o DF ainda enfrenta desafios referentes à distorção idade série, o tamanho das turmas e o retorno presencial após um longo período de pandemia. Para solucionar parte dessas questões, Vivina e Maria das Graças destacam que foi criado um grupo de trabalho com os gestores das unidades escolares para alinhar as ações e sanar as dúvidas que surgirem ao longo do processo. Com esse intuito, a rede ampliará a abrangência do grupo de trabalho com supervisores e coordenadores pedagógicos.

No que diz respeito aos desafios específicos da nova organização do Ensino Médio, a coordenadora pedagógica Raquel Ornelas aponta que a própria concepção de educação vem se renovando constantemente e afeta a maneira como os docentes pensam seu trabalho. “Nos modelos educacionais do século passado, a posição do estudante estava pautada no acúmulo de conhecimentos, na racionalidade, na escolha de uma carreira e na disciplina por meio de prescrições e normatizações de comportamentos, atitudes, hábitos e habilidades. Mas sabe-se que novas habilidades e competências precisam ser desenvolvidas para proporcionar o desenvolvimento global do estudante”.

Com isso, continua Raquel, os educadores são “convidados a perceber e a escutar o que o aluno necessita, a fim de se garantir um território de convivências e sentidos partilhados para assimilação dos conhecimentos, que possam ser aplicados à vida, para o fortalecimento do convívio e das relações do mundo do trabalho por meio das competências socioemocionais para o alcance de seus objetivos”, completa.

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Crédito das fotos:

Topo: arquivo pessoal de Raquel Alves Ornelas

Secretária Hélvia e subsecretária Maria das Graças: André Amendoeira/ASCOM SEEDF