Ensino Fundamental

Defasagem na aprendizagem: “Os professores notam que os estudantes estão aprendendo menos do que o esperado”

Boas práticas
Defasagem na aprendizagem: a educadora Regilane Gava Lovato explica estratégias colocadas em prática para diminuir a defasagem no Espírito Santo

“Meu nome é Regilane Gava Lovato, sou pedagoga, licenciada em Matemática e Mestre em Educação e Linguagem e trabalho no Espírito Santo. Há 15 anos atuo como professora do Ensino Fundamental na Rede Municipal de Ensino de Cachoeiro de Itapemirim, e há 14 anos como Supervisora Pedagógica na rede Municipal de Castelo.

Após a pandemia, no retorno às aulas presenciais, temos notado uma grande defasagem de aprendizagem dos nossos estudantes. Isso pode ser verificado tanto no resultado das avaliações diagnósticas quanto na rotina das aulas. Os professores veem que os estudantes não conseguem acompanhar tão bem as explicações ou realizar as atividades propostas. Infelizmente, de acordo com as evidências acompanhadas, as defasagens são superiores a de momentos anteriores. Vemos, por exemplo, estudantes do 7o e 8o anos que não escrevem textos mais longos e apresentam muitos erros gramaticais, sem coerência ou coesão.

Para reverter essa situação, temos colocado em prática diversas estratégias. Estamos finalizando o terceiro trimestre e vemos, aos poucos, avanços. Cito o exemplo de uma das escolas que acompanho como Supervisora, que é a Escola Municipal de Ensino Fundamental Nestor Gomes, em Castelo, que atende turmas de 6º ao 9º ano. Explico para vocês um pouco sobre ela: a escola está localizada no centro da cidade, atendendo também estudantes de bairros ao redor e de outros municípios. As crianças são de diferentes classes socioeconômicas e níveis de aprendizagem. Os professores têm acesso à internet para a realização de pesquisas, organização do planejamento pedagógico e realização de aulas, utilizando recursos online e fazendo o registro no diário online.

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Para lidar com a defasagem vista no retorno às aulas presenciais, a escola vem proporcionando momentos de reforço e aulas mais dinâmicas, envolvendo metodologias ativas, jogos pedagógicos, materiais concretos, incentivo à leitura de gêneros textuais diversos, como obras literárias, e fazendo agrupamentos entre os alunos para que possam auxiliar uns aos outros.

Falei sobre essa experiência no vídeo ao vivo organizado por Nova Escola e o Movimento pela Base sobre recomposição das aprendizagens e as Fichas de Recomposição. Quando conheci essas Fichas, li o material e disponibilizei o arquivo aos professores que acompanho. Acredito que são sugestões pedagógicas que os professores poderão inserir em seus planejamentos, sempre atentos ao currículo. Assim como qualquer material, não é um documento que deve ser seguido como algo obrigatório, sem passar pela reflexão. As Fichas devem ser organizadas e adaptadas de acordo com a necessidade das turmas, em que os professores possam repensar, reescrever e replanejar. Nos momentos de planejamento das aulas, penso ser importante dialogar com a turma de educadores sobre o material, a fim de identificarmos situações educacionais em que esses materiais podem ser utilizadas como proposta pedagógica, recurso para trabalhar com os diferentes níveis de aprendizagem e as habilidades que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Currículo Capixaba e o currículo municipal da rede determinam.”

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