A educação talvez seja o setor mais afetado pela pandemia de Covid-19. Mesmo com o empenho de redes e escolas na oferta emergencial do ensino remoto,  têm mostrado que os impactos na aprendizagem são profundos. E que os efeitos talvez perdurem por anos. Nunca foi tão importante focar na recomposição das aprendizagens de crianças e jovens para garantir que conhecimentos e habilidades importantes não fiquem para trás. 

A BNCC é o referencial que sinaliza os direitos de aprendizagem dos estudantes – e deve ser o norte para orientar o trabalho de recomposição de aprendizagens junto com os novos currículos alinhados a elas e os Projetos Político Pedagógicos de cada escola. É por isso que o Movimento pela Base, em parceria com Nova Escola, Instituto Reúna e Instituto Rodrigo Mendes, lançam o Material de apoio ao professor para recomposição das aprendizagens dos estudantes com fichas para direcionar o planejamento dos educadores de Língua Portuguesa e Matemática para o Ensino Fundamental. Até final de novembro teremos 132 fichas; acompanhe porque novos conteúdos serão incluídos. Acesse!

Conheça, nos links abaixo, experiências de sete redes de ensino sobre recomposição das aprendizagens que podem apoiar o entendimento sobre o assunto e como colocá-lo em prática:

Vídeo sobre recomposição das aprendizagens com Nova Escola, rede de Tubarão (SC), Movimento pela Base e Instituto Reúna realizado em outubro que discute a importância dos currículos para planejamento do professor, a diferença entre recomposição, recuperação e reforço, e a importância da avaliação constante.

O planejamento de 2022 em Caruaru, em Pernambuco, e a recomposição das aprendizagens

Recomposição das aprendizagens em São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul

[Análise] Recomposição das aprendizagens na rede municipal de ensino de Tubarão, em Santa Catarina

Vídeos com depoimentos de Embaixadoras da BNCC de Araguaína, no Tocantins, Almirante Tamandaré, no Paraná, e Goiânia, Goiás

Plano de ação para combater a defasagem na alfabetização em Sud Mennucci, em São Paulo

Para apoiar o trabalho de redes e escolas, indicamos ainda outros seis materiais alinhados à BNCC que contribuem com recomposição das aprendizagens: 

Fortalecimento da Aprendizagem para a recomposição das aprendizagens no Ensino Médio

Materiais elaborados pelo Instituto Reúna e Instituto Unibanco para secretarias de educação e escolas que incluem a priorização de competências e habilidades da BNCC, a produção de materiais para orientar as ações de sala de aula, a formação do coordenador pedagógico e do professor, além de práticas avaliativas. Acesse aqui

Guia de Implementação dos currículos alinhados à BNCC para Educação Infantil e Ensino Fundamental

O documento apresenta orientações e reflexões sobre as práticas educacionais para apoiar gestores de rede na implementação dos novos currículos alinhados à BNCC e está organizado em 9 capítulos. A flexibilização curricular é tema do capítulo 8, que traz referências para pensar: quais objetivos de aprendizagem e habilidades são essenciais e devem ser priorizados considerando o retorno presencial às escolas? Como organizar a flexibilização curricular para atender às demandas de aprendizagem de todos e de cada um dos educandos? O Guia é uma iniciativa do Movimento pela Base, com realização técnica da Comunidade Educativa CEDAC, em parceria com a Undime. Acesse aqui

Mapas de Foco 

Produzidos pelo Instituto Reúna, os mapas indicam as aprendizagens focais da BNCC para o Ensino Fundamental. A seleção leva em conta critérios como: quais conhecimentos e habilidades permitem a progressão dos estudantes, ou seja, que são pré-requisitos para aprendizagens de anos posteriores. E quais são comuns entre diferentes disciplinas. Além dos Mapas de Foco, há outros dois materiais relacionados: os Mapas de Foco nas Redes e Mapas de Foco na Escola. O primeiro apoia gestores escolares nos processos de planejamento e implementação da flexibilização curricular. E o segundo apoio coordenadores pedagógicos na formação dos professores para trabalhar com os mapas em sala de aula. Acesse aqui

Recomposição das aprendizagens: estratégias educacionais para enfrentar os desafios da pandemia

O documento, produzido pela Fundação Lemann e o Instituto Natura, foi pensado para buscar soluções a três grandes desafios: o aumento da evasão escolar, as lacunas de aprendizagem deixadas pela pandemia e a piora na saúde mental e emocional de estudantes e professores. A partir do levantamento de boas práticas internacionais, do diálogo com especialistas e da escuta de estudantes e educadores, foi produzido um mapeamento de estratégias endereçadas aos três desafios listados. 30 delas são apresentadas no documento em detalhes, trazendo inspirações e soluções possíveis para as redes. Acesse aqui

Plataforma Aprendendo Sempre

Criada no início da pandemia, em 2020, a plataforma é iniciativa de uma coalizão de organizações sociais para apoiar gestores educacionais, professores e famílias na garantia de aprendizagens durante a pandemia. Acesse pelo link

Reportagens e cursos sobre Recomposição de Aprendizagem

Especial elaborado por Nova Escola que reúne reportagens e cursos para auxiliar os educadores na identificação de defasagens e na construção de estratégias para recompor, priorizar e impulsionar habilidades e competências essenciais para toda a Educação Básica. Está organizado em três módulos: Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio. A iniciativa foi feita em parceria com a Fundação Lemann, o Instituto Credit Suisse Hedging-Griffo, a Fundação Telefônica Vivo e o Instituto Chamex. Acesse pelo link

Veja pesquisas feitas recentemente que dão mais informações sobre o contexto em que estamos vivendo:

Levantamento realizado em 2022 pelo Vozes da Educação a pedido do Movimento pela Base aponta que desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 começou, diferentes territórios em todo o mundo começaram a se organizar para fazer intervenções curriculares que auxiliassem os educadores a definir as habilidades e competências a serem priorizadas para os estudantes durante a crise. O  Intervenções Curriculares na pandemia: um olhar para quinze territórios” indica que a necessidade de realizar uma intervenção curricular se mostrou atrelada ao fato de as escolas terem ficado muito tempo fechadas, prejudicando o fluxo de aprendizagem, sendo o Brasil uma das localidades que permaneceu o maior tempo nessa situação.

“Estado da crise educacional global: Uma rota de recuperação” é um relatório publicado pelo Banco Mundial, UNESCO e UNICEF em 2021 que traz dados importantes: em muitos países, as crianças perderam a maior parte ou todo o aprendizado acadêmico que normalmente teriam adquirido na escola em um ano letivo regular. Em geral, as crianças mais novas e marginalizadas tiveram perdas ainda maiores. E mais: “A crise global de aprendizagem parece ser ainda mais grave do que se temia: esta geração de alunos corre o risco de perder US$ 17 trilhões de rendimento futuros (em valor presente) como resultado do fechamento das escolas, o que equivale a 14% do atual PIB global e excede consideravelmente os US$ 10 trilhões estimados em 2020.”, indica o documento. 

Também em 2021, o Vozes da Educação realizou o “Recomposição das aprendizagens em contextos de crise” , levantamento internacional com apoio do Instituto Natura e da Fundação Lemann. O texto indica que as estratégias de adaptação curricular mais comuns em programas de recomposição de aprendizagens incluem priorização das habilidades curriculares ou aceleração das aprendizagens, sendo que o foco tem sido habilidades estruturantes de linguagem e matemática.