Ensino Fundamental

Criança Alfabetizada: BNCC é o ponto de partida para definir a meta do compromisso

Currículos de EI e EFNotícias
Criança alfabetizada e BNCC

O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada é uma das políticas apontadas como prioridade pela atual gestão do Ministério da Educação (MEC). Lançado em 2023, ele ganhou, neste mês de junho, um novo reforço com a publicação dos dados completos do Indicador Criança Alfabetizada.

Leia também:

O indicador leva em conta dados da Pesquisa Alfabetiza Brasil, criada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em cooperação com o MEC. Os primeiros dados divulgados mostram que 56% das crianças matriculadas no 2º ano do Ensino Fundamental alcançaram o padrão de alfabetização estabelecido pela pesquisa. Segundo o Inep, isso significa que essas crianças conseguiram:

  • Ler palavras, frases e textos curtos;
  • Localizar informações explícitas em textos curtos;
  • Inferir informações em textos que combinam linguagem verbal e não verbal.

Os parâmetros fazem parte do relatório da Pesquisa Alfabetiza Brasil, publicada pelo Inep em 2023, e revelam as diretrizes que deveriam embasar a Política Nacional de Avaliação da Alfabetização no Brasil tendo a BNCC como alicerce para pensar qual deve ser o perfil de criança alfabetizada no Brasil. De acordo com o documento:

 “A BNCC, homologada em dezembro de 2017, por meio da Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017, estabeleceu que o foco da alfabetização se daria nos dois primeiros anos do ensino fundamental. Diante disso, a população-alvo da avaliação do ciclo de alfabetização do Saeb foi alterada para escolas públicas e privadas com estudantes matriculados em turmas de 2º ano do EF. Nesse contexto, foi criado o Saeb 2º ano, cuja primeira aplicação ocorreu em 2019.”

A partir desse entendimento, o Inep conduziu uma pesquisa, que contou com a participação de especialistas e de 341 professoras alfabetizadoras de todas as regiões do país, discutindo sobre quais conjuntos de conhecimentos e habilidades da BNCC, e presentes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para o 2º ano, do que uma criança deve demonstrar ter desenvolvido para ser considerada alfabetizada. A partir daí, estabeleceu-se o padrão nacional de alfabetização em 743 pontos na escala Saeb.

Segundo João Paulo Cepa, Gerente de Articulação do Movimento pela Base, isso é importante porque ter uma base curricular permite que se defina o perfil de criança alfabetizada no Brasil:

“A BNCC, ao definir as aprendizagens essenciais para todos os estudantes brasileiros, foi o ponto de partida para a organização de outras políticas, como currículos estaduais e municipais, materiais didáticos, avaliações e formações de professores. Essas políticas permitem uma maior coerência entre si, para que funcionem de maneira integrada para alcançar os objetivos educacionais estabelecidos para a trajetória dos estudantes.”

Leia também:

João Paulo pondera ainda que, antes da BNCC, era esperado que as crianças aprendessem a ler e a escrever até o 3º ano do Ensino Fundamental. Depois, passou a ser esperado que as crianças aprendessem a ler e a escrever até o 2º ano do Ensino Fundamental:

“A BNCC é uma importante ferramenta indutora da coerência sistêmica para o Compromisso. Ela estipulou o que é essencial que os estudantes aprendam e quando. Para isso, o Saeb do segundo ano passou a ser alinhado a esta expectativa, mas com avaliações ainda amostrais. Agora, ampliar essa determinação para todo o Saeb é fundamental para orientar a política pública de maneira a assegurar o direito a uma educação de qualidade para todas as crianças na idade certa.”

Alfabetização na idade certa entre as agendas prioritárias

A divulgação oficial do indicador aconteceu no final de maio, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Educação Camilo Santana, e também de governadores de estado, secretários estaduais, representantes do Inep, CONSED e Undime, prefeitos e outras autoridades. A alfabetização é uma das três agendas prioritárias do governo federal na educação, juntamente com a educação em tempo integral e a ampliação da conectividade digital nas escolas.

O Compromisso visa garantir que todas as crianças adquiram habilidades de leitura e escrita até o final do 2º ano do ensino fundamental. Ele é implementado por meio de diversas ações coordenadas, que envolvem desde a formação de professores até a avaliação sistemática do progresso dos alunos nas redes estaduais e municipais.

Objetivos do Compromisso Criança Alfabetizada:

  • Garantir que 100% das crianças brasileiras estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental (meta 5 do PNE). 
  • Garantir a recomposição das aprendizagens, com foco na alfabetização, de 100% das crianças matriculadas no 3º, 4º e 5º ano, tendo em vista o impacto da pandemia para esse público.

Leia também:

 

Últimas

Programa Impulso capacita lideranças públicas para fortalecer a educação brasileira

Formação gratuita do Ensina Brasil foca em gestores que coordenam equipes e projetos em secretarias de educação  O Ensina Brasil abriu inscrições para a edição 2026 do Programa Impulso, uma formação intensiva e gratuita voltada a lideranças públicas que atuam na educação básica. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a capacidade de gestores que estão na linha de frente da implementação de políticas educacionais, com foco na promoção de equidade e no aumento da presença de mulheres e pessoas negras em posições estratégicas.  As inscrições seguem abertas até 27 de abril e podem ser realizadas em grco.de/impulso-2026.  Para quem é o programa  O Impulso é destinado a profissionais que ocupam posições de gestão no setor público educacional — como Chefes de Divisão, Diretores de Departamento ou Coordenadores de Área — em redes municipais, estaduais ou federais.  Os requisitos para participação são: ter atuado por pelo menos um ano em escolas públicas (como professor(a) ou gestor(a)); estar atualmente em cargo de gestão que coordena equipes e projetos; e desejar ampliar sua atuação institucional.  A turma terá 100 participantes, com compromisso de garantir 50% de mulheres e 50% de pessoas negras entre os selecionados.  Uma jornada de seis meses  O programa acontece ao longo de seis meses, em formato híbrido, combinando encontros presenciais em São Paulo e módulos online. Ao todo, são 80 horas de formação distribuídas em dois encontros presenciais de três dias em São Paulo (junho e dezembro), seis módulos online e encontros mensais de…